terça-feira, 28 de abril de 2009

"As únicas coisas eternas são as nuvens..."¹

A lembrança é eterna. Poucas coisas eu li na bíblia, pouquíssimas eu gostei, mas isso faz sentido: não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas². É isso, bem sabemos das profundas marcas e influência das lembranças. São tão sensíveis, melindrosas e leves. Leve como um sopro. É aquela planta que nasce de modo espontâneo, num terreno inculto e, mesmo mal cuidada, sempre brota, persiste e continua. Minha eternidade se afogou em uns olhos cor-de-oceano.


¹ Mario Quintana, Epígrafe, Sapato florido - 1948
² 2 Coríntios 4:17, 18